Justiça condena Dr. Erick por violência política de gênero contra secretária de PG

Justiça condena Dr. Erick por violência política de gênero contra secretária de PG
11 maio, 2026
Vereador foi processado por cometer violência política de gênero, e terá que pagar uma indenização de R$ 4 mil. A decisão foi proferida pela juíza Heloísa da Silva Krol Milak.
Crédito: Arquivo

Vinicius Sampaio, especial para o Blog do Johnny.

O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) condenou o vereador de Ponta Grossa, Dr. Erick (PV), pelo crime de danos morais contra a secretária municipal da Família e Desenvolvimento Social, Camila Calixto Sanches. O parlamentar foi processado por cometer violência política de gênero, e terá de pagar uma indenização de R$ 4 mil. A decisão foi proferida pela juíza Heloísa da Silva Krol Milak.

A ação foi movida pela secretária Camila Sanches após, na sessão ordinária do dia 06 de agosto de 2025, o vereador dizer que ela estaria “brincando de casinha” na função pública”.

Além da fala em plenário, o processo também reuniu prints de mensagens atribuídas ao parlamentar enviadas à secretária, chamando-a de “secretariazinha” e que se ele não fosse atendido por ela na Secretaria, iria abrir a porta “no bicudo”.

O PROCESSO – Na ação, Camila Sanches alegou que as manifestações extrapolaram os limites da crítica política legítima e da imunidade parlamentar, atingindo sua honra, imagem e dignidade. A defesa da autora fundamentou o pedido na lei que trata da violência política contra a mulher.

Dr. Erick, por sua vez, negou ter cometido violência política de gênero, assédio ou ameaça. O vereador sustentou que suas manifestações ocorreram no exercício regular do mandato parlamentar, em contexto de fiscalização política da Secretaria Municipal da Família e Desenvolvimento Social. A defesa também argumentou que as falas estariam protegidas pela imunidade material, além da liberdade de expressão.

O parlamentar ainda destacou que uma representação apresentada pela secretária à Corregedoria da Câmara Municipal teria sido arquivada sem constatação de infração ética.

Ao analisar o caso, a juíza Heloísa da Silva Krol Milak entendeu que as falas tiveram caráter ofensivo e desqualificador, direcionadas à condição de mulher da autora.

“A análise do conjunto das falas revela conteúdo manifestamente ofensivo, depreciativo e desqualificador, direcionado à autora não por sua atuação funcional concreta, mas por sua condição de mulher ocupante de cargo público, utilizando estereótipos de gênero como instrumento de ataque pessoal e profissional”, afirmou a magistrada na decisão.

Com isso, a juíza julgou procedente a ação e condenou o vereador ao pagamento de R$ 4 mil por danos morais à secretária Camila Sanches.

POSICIONAMENTO – A decisão da Justiça representa um reconhecimento importante de que a violência política de gênero não pode ser naturalizada nem tratada como algo menor dentro dos espaços públicos e institucionais. Meu posicionamento é de que essa condenação tem um caráter pedagógico e simbólico muito relevante, porque reforça que ataques que tentam desqualificar mulheres em posições de liderança atingem não apenas a vítima diretamente, mas também a democracia e a participação feminina nos espaços de decisão.

A secretária municipal da Família e Desenvolvimento Social, Camila Sanches, se posicionou sobre o caso. Ao Blog do Johnny, a secretária afirma que o resultado é relevante. “Espero que esse caso encoraje outras mulheres a denunciarem situações semelhantes e a buscarem seus direitos. Muitas vezes, mulheres que ocupam cargos públicos acabam sendo alvo de ataques pessoais, intimidações e tentativas de descredibilização justamente por estarem em posições de destaque. É fundamental que exista uma resposta firme das instituições para combater esse tipo de violência”

Ela diz ainda que o caso pode “ampliar a conscientização da sociedade sobre a violência política de gênero, uma vez que esse ainda é um tema pouco debatido. O caso também reforça que esse tipo de violência não pode ser normalizado dentro dos espaços públicos e políticos, especialmente quando o objetivo é intimidar, descredibilizar ou diminuir mulheres que ocupam posições de liderança”, diz.

Procurado, o vereador Dr. Erick não retornou. O espaço segue aberto para manifestações.

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